Conheça o livro Curtindo Música Brasileira

curtindoEm 19 de novembro chega às livrarias, pela editora Belas-Letras, o primeiro e mais abrangente livro sobre uma das mais reconhecidas artes do país. Curtindo música brasileira – Um guia para entender e ouvir o melhor da nossa arte, do jornalista e crítico Alexandre Petillo, traz de maneira prática o que todo mundo sempre quis saber: por onde começar, o que é essencial ouvir e o que é preciso saber sobre cada gênero musical típico do Brasil.

A obra é um trabalho de fôlego: explica a origem e as curiosidades de cada estilo – samba, sertanejo, rock, tropicália, MPB, bossa nova, pop, black music, funk, música eletrônica, música clássica e erudita, além das músicas regionais de norte a sul do país.

Apesar do volume – 752 páginas –, a estrutura da edição conduz o leitor a uma viagem divertida e prazerosa pela música nacional. Cada capítulo trata de um gênero específico, explicando sua história com uma breve introdução, seguida de uma lista dos discos essenciais a serem ouvidos, e uma playlist com músicas desse mesmo ritmo selecionadas pelo autor. Há ainda indicações de filmes e documentários que complementam a leitura.

“Pensamos em fazer um guia para o leitor realmente ‘curtir’ o que de melhor a nossa música tem em todos os gêneros. Quando a gente, por exemplo, quer começar a ouvir samba, geralmente fica com aquela dúvida: por onde eu começo? O livro responde a essa pergunta. Se a pessoa gosta de samba, ou de rock, vai encontrar os discos essenciais e as músicas, digamos, imperdíveis. As origens e as curiosidades de cada ritmo vão fazer com que cada um ouça uma música de um jeito diferente”, esclarece o autor.

O guia conta com a indicação de pelo menos 300 discos e 4,5 mil músicas. As ilustrações do premiado Zé Dassilva se complementam aos modernos infográficos do designer Erick Miranda. Além deles, contribuíram para a obra personagens ilustres, como os músicos Roberto Menescal, Fagner, Geraldo Azevedo e Roger Moreira, o publicitário Washington Olivetto, entre outros, que indicam músicas e caminhos para o leitor se aventurar pelo mundo da música brasileira.

Abaixo confira uma entrevista com o autor sobre o processo criativo e o surgimento do projeto.

Belas-Letras: Como surgiu a ideia do livro? Por que falar de música brasileira?

Alexandre Petillo: Já tinha vontade de fazer uns guias sobre determinados movimentos e cantores da música brasileira, em um formato de série. A ideia de fazer um guia maior, falando de todos os gêneros, veio da Belas-Letras e topei na hora. O mercado da música mudou, nem é preciso dizer muito sobre isso. Esse novo mercado e a internet trouxeram relançamentos de discos clássicos – blogs de pesquisadores sérios com pérolas perdidas, raras – que ajudou bastante a gente a descobrir e ouvir discos que até então só sabíamos de história. Acredito que é um momento interessante de tentar dar uma mapeada no que fizemos de mais relevante usando essas ferramentas.

BL: Por onde você começou?

AP: Comecei pelo samba, que é a nossa raiz e onde temos, acredito, os artistas mais geniais, capazes de captar o sentimento brasileiro em todas as fases da nossa existência.

BL: Havia algum gênero em específico que você não conhecia ou não curtia muito, mas que te interessou mais depois da pesquisa?

AP: Apanhei um pouco da música sertaneja, mas o mestre Rolando Boldrin foi muito generoso em dar um bom direcionamento, que facilitou bastante a pesquisa e o por onde começar a entender a raiz do gênero. Apanhei bastante do erudito. Tive que pesquisar muito, ler muito e ouvir muitas músicas, arranjos e discos que não conhecia. Um erro. Eu deveria ter aprendido sobre isso na escola. Acabei fascinado e descobrindo discos que não conhecia mesmo depois do fim do livro. Ainda continuo minha pesquisa sobre o erudito, independente do livro.

BL: Qual é a sua afinidade com a temática?

AP: Música é um dos assuntos mais caros da minha vida. Cresci apaixonado por música, comprando discos, revistas, guardando matérias de jornais. Tive muita influência da minha mãe, que como toda estudante dos anos 1960, guardou uma bela coleção de vinis de toda aquela turma e ouvia sempre em casa. Foi muito mais prazer do que trabalho duro.

BL: E a pergunta que não quer calar... Qual foi a trilha sonora que você mais ouviu enquanto escrevia o livro?

AP: Como passei por todos os ritmos, não teve nenhuma trilha que sobressaiu mais do que as outras. Mas alguns discos que já tinha ouvido e voltei a escutar para o livro ganharam destaque outra vez na prateleira de favoritos. Como o "Dois", da Legião Urbana, o "Acabou Chorare", do Novos Baianos, várias coisas do Renato Teixeira, muita coisa do Paulinho da Viola, do Cartola... Casuarina também eu ouvi praticamente todos os dias durante o trabalho.

Sobre o autor:

Alexandre Petillo é jornalista e crítico musical. Trabalhou no Notícias Populares, revista Zero, escreveu para a Folha, Estadão, Jornal da Tarde, Playboy, Época, Superinteressante, Placar, Lance!, Extra, Brasileiros, Caros Amigos, entre outras. Em 2012, publicou A ira de Nasi (Belas-Letras).

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