O gosto de viver

“A vida é boa acima de tudo; é boa por si mesma; o raciocínio nada conta para isso. Não se é feliz por viagem, riqueza, sucesso, prazer. É-se feliz porque se é feliz. Como o morango tem gosto de morango, assim a vida tem gosto de felicidade. O sol é bom, a chuva é boa; todo ruído é música. Ver, ouvir, cheirar, saborear, tocar não é mais do que uma sucessão de felicidades. Mesmo os pesares, mesmo as dores, mesmo o cansaço, tudo isso tem um sabor de vida. Existir é bom; não melhor do que outra coisa; pois existir é tudo e não existir não é nada. Se assim não fosse, nenhum vivente perduraria, nenhum vivente nasceria. Pensem que uma cor é uma alegria para os olhos. Agir é uma alegria. Pensar é uma alegria também, e é a mesma. Não somos condenados a viver; vivemos avidamente. Queremos ver, tocar, julgar; queremos descobrir o mundo. Todo vivente é como que um passeante da manhã. (…) Ver é querer ver. Viver é querer viver. Cada vida é um canto de regozijo.”

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