A leitura no século 21


Pesquisas sobre leitura e internet têm mostrado que o leitor de mídias digitais tem menos concentração e se recorda de menos detalhes após o término da leitura. Como fazer para prender a atenção desse leitor - seja de veículos de comunicação, seja de literatura - foi uma das questões centrais da conferência A Comunicação do Impresso ao Digital, realizada na 14ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, com participação dos jornalistas Roberto Dias, da Folha, Eduardo Diniz, de O Globo, Pedro Lopes, da Zero Hora, e Rinaldo Gama, editor do suplemento Sabático, do Estado.

Diniz lembrou que, quando meios como a televisão e o rádio surgiram, acreditou-se que o impresso estava perto do fim, o que não aconteceu. "O caso é que a internet trouxe um cenário bem mais radical. Tempos atrás, você passeava pela ecologia da comunicação e via árvores frondosas, os grandes jornais. A internet trouxe uma densidade gigantesca a essa floresta: é muita gente produzindo informação. Isso trouxe de fato um problema para as empresas de jornalismo, que é como se adaptar."

Coube a Rinaldo Gama fazer uma conexão entre a literatura - um dos temas centrais da Jornada de Passo Fundo -, a comunicação e a era digital. "Entre a literatura e os meios de comunicação, há uma cumplicidade de códigos que faz com que ambos andem lado a lado. Não deve ser coincidência que o termo literatura só tenha se consolidado no século 19, no momento em que o jornal passou a influenciar a literatura, não só pela divulgação de folhetins mas também no formato", disse, exemplificando com o poema Um Lance de Dados, de Stéphane Mallarmé, que "de certa forma inaugura no século 19 a literatura do século 20", e cuja inspiração é muito próxima do jornal, como constatou Marshall McLuhan.

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