O novo oráculo

por Gilmar Marcílio

A internet pode ser uma ótima ferramenta para a construção de uma democracia

A polêmica continua e nada prenuncia o seu fim. A expansão da tecnologia é boa ou traz mais malefícios para o homem? Como tudo na vida, um posicionamento radical só impede que vejamos com clareza o que melhorou e o que resultou em malogro, depois que nos instalamos dentro do universo virtual. Preciso fazer um mea culpa. Durante muitos anos vociferei contra a invasão da internet, atribuindo a ela a responsabilidade pela degradação dos relacionamentos. Reconheço que me exacerbei. As pessoas nunca se encontraram tanto, nunca tiveram tantas possibilidades de comparar, analisar e escolher o que mais se adapta ao seu modo de ver a realidade. Há os exagerados, claro. Esses que se sentem totalmente obsoletos quando não estão em rede social. Twitter, Facebook, blogs, Orkut, chats... Um verdadeiro inferno. Mas não é desses que estou falando.

Veja como a internet possibilitou a pluralidade de pensamentos. Hoje, uma parcela considerável da humanidade fica sabendo quase que instantaneamente o que acontece em qualquer parte do mundo. Qual é o ganho? Está ficando mais difícil para os donos da verdade esconderem os seus atos de tirania. Não por acaso uma recente campanha publicitária, muito premiada, mostra isso. Numa sacada genial, colocou-se a imagem de três dos maiores ditadores da atualidade – Hugo Chávez, Raúl Castro e Mahmoud Ahmadinejad – com uma expressão de pavor, no momento em que surge um simples ratinho na sala em que despacham. Mas não um ratinho comum: o que aparece é um mouse de computador. Para quem se acostumou a mandar indiscriminadamente, nada assusta mais do que constatar que a informação está disponível a qualquer um. O exemplo mais sintomático é a recente saída do Google da China, depois de sofrer pressões durante anos. Para um sistema político tão fechado, é extremamente perigoso que as pessoas tenham acesso a outras realidades.

Se conclui que a disseminação geral e irrestrita do que acontece longe dos nossos olhos pode ser a melhor ferramenta para a construção de uma democracia. E mais, muito mais do que isso. Imagine-se morando numa pequena cidade do interior. À parte os encantos bucólicos, a quietude dos contatos mais íntimos que se pode estabelecer com amigos e vizinhos, não há muita graça em passar os dias fazendo sempre a mesma coisa. Se você for adolescente, pior ainda. É o tédio total. Um exemplo disso está no premiado filme Os Famosos e os Duendes da Morte, do gaúcho Esmir Filho. Claro, quanto mais a gente avança, quanto mais vai abrindo portas, mais aumenta nossa fome e a vontade de ir além. Pode ser um passaporte para a angústia. Mas tenho gostado muito dessa perspectiva que nos joga para além de nós mesmos. Isso significa encontrar o outro. Se você é dos que se preocupam com o rumo que as coisas estão tomando, imagine-se na Idade Média, por exemplo. Não sendo rei ou um nobre qualquer, seu destino quase que certo seria o da servidão completa ao seu amo e senhor.

Reconheçamos: os avanços tecnológicos não precisam ser exorcizados e nem endeusados. Eles trazem grandes benefícios e também podem nos induzir a uma solidão brutal, mesmo tendo milhões a um clique de distância. Tudo depende do uso que fazemos deles. Tenho buscado o meio termo. Acolho com simpatia as novidades nessa área, mas sempre com um olhar crítico. Lembro que não preciso ser uma vítima desse processo. Uma boa conversa, olho no olho, também pode provocar uma revolução.

Publicado com a permissão do autor. Gilmar Marcílio é escritor, filósofo e coordenador da Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim. Publica suas crônicas em jornais desde 1998.

0 comentários:

Marco Túlio, do Jota Quest, lança “Meu Pequeno Cruzeirense” na Bienal do Livro de Minas

O músico Marco Túlio, do grupo pop mineiro Jota Quest, vai lançar “Meu Pequeno Cruzeirense”, seu livro de estréia, no próximo dia 18 de maio, terça-feira, às 19h, na Bienal do Livro de Minas Gerais, nos pavilhões da Expominas. A sessão de autógrafos acontece no estande da editora Belas-Letras (Rua L 14, pavilhão 2).
Marco Túlio descreve Meu Pequeno Cruzeirense como “um encontro entre pai e filho”. No texto, ele optou por contar uma história que mostra como a paixão por um clube de futebol, no caso o Cruzeiro, é um poderoso elo de ligação entre pais e filhos e suas histórias.
“Um time representa isso, um pouco de quem você é e de onde veio, ou seja, 100% emocional. A minha paixão pelo clube e uma herança paterna”, conta Marco Túlio. Ele optou por escrever um texto que começa com suas lembranças de menino, quando ele corria uniformizado pela casa batendo a bola por todos os cantos e transformando a sala em campo de futebol.
Ao mesmo tempo, o músico passeia pelos grandes momentos históricos do Cruzeiro, os títulos e os ídolos. Mas essa história é apenas um cenário para mostrar a forte ligação que o futebol e um time podem provocar entre um pai e um filho. Com o passar dos anos, o amor pelo Cruzeiro se ampliou, desta vez através do filho do guitarrista, de seis anos.
As ilustrações são assinadas pelo mineiro Giovanni Barbosa, que conseguiu traduzir os grandes momentos do Cruzeiro, como um gol de Alex em 2003 que mereceu até placa, ou uma jogada de Tostão pela seleção brasileira com imagens com muita vibração, movimento e cor, para agradar ao público que é fã não apenas do Cruzeiro, mas de futebol. “Queria que as ilustrações transmitissem a química entre o time e o torcedor”, explica Giovanni.
O livro faz parte de uma coleção editorial de sucesso, chamada Meu Time do Coração. Em cada livro, um torcedor famoso de cada clube e um ilustrador tentam mostrar, com seus argumentos, por que o leitor deve torcer para aquele time. Já foram lançados os livros Meu Pequeno Corintiano (Serginho Groisman), Meu Pequeno São-Paulino (Nando Reis), Meu Pequeno Palmeirense (Soninha), Meu Pequeno Rubro-Negro (Gabriel o Pensador), Meu Pequeno Tricolor (Evandro Mesquita), Meu Pequeno Vascaíno (Fernanda Abreu), Meu Pequeno Botafoguense (Helio de La Pena), Meu Pequeno Coxa-Branca (Guta Stresser), Meu Pequeno Gremista (Humberto Gessinger) e Meu Pequeno Colorado (Luís Augusto Fischer). São todos livros oficiais, licenciados pelos clubes.
A editora decidiu esperar pela Bienal do Livro de Minas Gerais para lançar oficialmente os dois livros dos times mineiros.
“Queríamos fazer um evento muito especial, e a Bienal é o momento ideal para lançar o livro. A ideia do Marco Túlio foi uma das mais interessantes da coleção, é um livro que fala de uma paixão honesta, pura, que não tem fim, ou seja, é a legítima paixão do torcedor de verdade. E as ilustrações causam um impacto muito forte. Vai ser difícil um cruzeirense – adulto ou criança – não se emocionar quando abrir este livro”, comenta o editor da Belas-Letras, Gustavo Guertler.

Lançamento e sessão de autógrafos do livro Meu Pequeno Cruzeirense
Bienal do Livro de Minas Gerais
Expominas (Av. Amazonas, 6030, Gameleira, Belo Horizonte – MG)
Estande da Belas-Letras (Rua L14)
18 de maio de 2010 – terça-feira – 19h
Preço de capa do livro: R$ 19,90
Realização: Editora Belas-Letras

1 comentários:

Wilson Sideral lança o livro “Meu Pequeno Atleticano” na Bienal do Livro de Minas

O cantor e compositor Wilson Sideral vai lançar “Meu Pequeno Atleticano”, seu livro de estreia, no próximo dia 17 de maio, segunda-feira, às 19h, na Bienal do Livro de Minas Gerais, nos pavilhões da Expominas. A sessão de autógrafos acontece no estande da editora Belas-Letras (Rua L 14, pavilhão 2).
No livro, Wilson Sideral utilizou como protagonista seu filho, Igor, para contar uma história mágica, tendo como cenário justamente a primeira vez em que ele leva o filho para assistir a um jogo do Galo no Mineirão. Não se trata de um jogo qualquer. Eles vão acompanhar a grande final do Campeonato Mineiro de 2010. E é durante esse jogo que o pequeno atleticano de Sideral, em meio à emoção da partida, vai descobrir um pouco sobre a história do Galo e se emocionar roendo as unhas, torcendo, ouvindo o jogo com o radinho colado ao ouvido e testemunhando um final apoteótico.
“Foi um desafio delicioso criar uma história que, em primeiro lugar, falasse da grandeza do Atlético e sua história, suas grandes conquistas, sua torcida apaixonada e a importância do Galo no futebol brasileiro”, explica Sideral. Para ele, o mais importante era transmitir, no texto, a magia e emoção que fizeram dele próprio um reconhecido torcedor atleticano.
As ilustrações são assinadas pelo mineiro André Fidusi, que, apesar de usar a imagem para mostrar momentos históricos e os maiores ídolos do clube, optou por transmitir na parte artística do livro um sentimento muito forte no Atlético, que é o espírito de equipe. “Procurei passar uma idéia lúdica com traços mais simples, porém marcantes. Fiz os esboços à mão livre e finalizei com técnicas digitais”, explica Fidusi.
O livro faz parte de uma coleção editorial de sucesso, chamada Meu Time do Coração. Em cada livro, um torcedor famoso de cada clube e um ilustrador tentam mostrar, com seus argumentos, por que o leitor deve torcer para aquele time. Já foram lançados os livros Meu Pequeno Corintiano (Serginho Groisman), Meu Pequeno São-Paulino (Nando Reis), Meu Pequeno Palmeirense (Soninha), Meu Pequeno Rubro-Negro (Gabriel o Pensador), Meu Pequeno Tricolor (Evandro Mesquita), Meu Pequeno Vascaíno (Fernanda Abreu), Meu Pequeno Botafoguense (Helio de La Pena), Meu Pequeno Coxa-Branca (Guta Stresser), Meu Pequeno Gremista (Humberto Gessinger) e Meu Pequeno Colorado (Luís Augusto Fischer). São todos livros oficiais, licenciados pelos clubes.
A editora decidiu esperar pela Bienal do Livro de Minas Gerais para lançar oficialmente os dois livros dos times mineiros.
“A Bienal é o momento ideal para lançar o livro. O livro do Atlético é muito interessante porque tem um foco muito importante principalmente no futebol, que é condicionar as nossas conquistas ao espírito de equipe, à união. Sem contar que a narrativa usa muito da emoção, o livro todo se passa durante uma partida muito marcante, a final do Mineiro deste ano”, comenta o editor da Belas-Letras, Gustavo Guertler.


Lançamento e sessão de autógrafos do livro Meu Pequeno Atleticano
Bienal do Livro de Minas Gerais
Expominas (Av. Amazonas, 6030, Gameleira, Belo Horizonte – MG)
Estande da Belas-Letras (Rua L14)
17 de maio de 2010 – terça-feira – 19h
Preço de capa do livro: R$ 19,90
Realização: Editora Belas-Letras

0 comentários:

Lançamento do livro Pra Ser Sincero na Bienal de Minas

Em comemoração aos 25 anos dos Engenheiros do Hawaii, o músico Humberto Gessinger, líder da banda, estará em Belo Horizonte na Bienal do Livro de Minas Gerais no dia 19 de maio, quarta-feira, às 19h, para o lançamento e sessão de autógrafos do livro Pra Ser Sincero: 123 Variações Sobre Um Mesmo Tema (editora Belas-Letras). A sessão de autógrafos acontecerá no estande da editora, no pavilhão 2 da Expominas (Rua L14). A editora distribuirá senhas duas horas antes do evento no próprio estande.
Escrito pelo próprio Gessinger, único dos músicos que acompanhou todas as formações do grupo desde sua criação, o livro conta com 304 páginas, todas coloridas, que incluem fotografias inéditas, informações sobre cada um dos discos, letras comentadas e um diário de 1984 a 2009, além de um ensaio do escritor Luís Augusto Fischer.
“Depois de lançar o livro Meu Pequeno Gremista, comecei a pensar em escrever minha trajetória. Fui a várias feiras e eventos de divulgação, muita gente me pedia que escrevesse sobre minha música, os anos 80, a permanência de 25 anos na estrada. Escrever a história da banda não foi meu objetivo principal. Certamente ela está ali, mas o livro vem de antes e segue depois...”, analisa Humberto Gessinger.
Para o público mineiro, que concentra um dos maiores números de fãs da banda no Brasil, a editora preparou brindes especiais para quem adquirir o livro durante os nove dias do evento.
Pra Ser Sincero é um olhar de Gessinger sobre uma banda que era para ter durado uma noite só, mas que acabou escrevendo um capítulo da história do rock brasileiro, mesmo estando longe demais das capitais.

Serviço:
Lançamento e sessão de autógrafos do livro Pra Ser Sincero: 123 Variações Sobre Um Mesmo Tema (Editora Belas-Letras)
Bienal do Livro de Minas
Expominas (Av. Amazonas, 6030, Gameleira, Belo Horizonte – MG)
Estande da Belas-Letras (Rua L 14)
19 de maio de 2010 – quarta-feira – 19h
Serão distribuídas senhas no estande da própria editora duas horas antes
Preço de capa do livro: R$ 40,00
Realização: Editora Belas-Letras

2 comentários:

Editora Belas-Letras na Bienal de Minas Gerais


A editora Belas-Letras participa da Bienal de Minas 2010!

1 comentários:

Humberto Gessinger na Bienal de Minas

Humberto Gessinger é um dos autores que confirmou presença na Bienal de Minas 2010. A sessão de autógrafos com o autor acontecerá no dia 19 de maio, quarta-feira, no estande da editora na Bienal (Rua L14), a partir das 19h. No mesmo dia, haverá promoções do livro para quem adquiri-lo no estande da editora. Também já confirmaram presença Marco Túlio, guitarrista do Jota Quest, com o livro Meu Pequeno Cruzeirense, no dia 18 de maio, e Wilson Sideral, com o livro Meu Pequeno Atleticano, no dia 17 de maio.

3 comentários:

Meu Pequeno Atleticano no prelo

O livro Meu Pequeno Atleticano, que conta com texto do músico Wilson Sideral e ilustrações de André Fidusi, está em fase final de publicação. A obra estará à venda a partir do dia 10 de maio no site da editora. O lançamento oficial com noite de autógrafos acontecerá no dia 17 de maio, segunda-feira, às 19h, no estande da Belas-Letras na Bienal de Minas Gerais (Rua L14).

0 comentários:

Nós, os animais

por Gilmar Marcílio

Se você é dos que acreditam que estamos no centro do universo, que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, dê uma olhada no interessantíssimo livro do cientista brasileiro Fernando Reinach e provavelmente vai mudar de ideia. Mas não se preocupe, em A Longa Marcha dos Grilos Canibais não se defende apaixonadamente nenhuma tese que nos incite ao ateísmo ou coisa semelhante. Você descobrirá, sim, o óbvio, o que está na frente do nosso nariz e nos recusamos a ver: somos animais como quaisquer outros do planeta. Tudo o que queremos, em última instância, é perpetuar os nossos genes. Igual ao que fazem os mosquitos, as girafas, as formigas, os sapos e todos os demais seres vivos do planeta terra. Nosso sonho de que fomos bafejados pelos deuses se esboroa num instante.

É Darwin puro. Cada crônica é recheada de provas incontestes. Você vai encontrar uma espécie de súmula do comportamento humano. Onde costumamos ver motivos transcendentais, para agir dessa ou daquela maneira, o autor nos mostra que tudo não passa de uma corrida rumo ao prêmio que garantirá a continuidade da raça. Triste? Nem um pouco. A revelação de que não somos diferentes de todos os que dividem conosco um plano de vida e de morte só reforça a importância de termos um pouco mais de humildade. E de aprendermos a cuidar mais do lugar que está nos hospedando. Antes que seja tarde. Afinal, a velha teoria de que tudo está interligado, que ao afetarmos um sistema estaremos comprometendo a qualidade de vida de todos, tem se confirmado estudo após estudo.

É interessante perceber que nossa sobrevivência depende de uma série de pequenas trapaças que utilizamos ao longo do tempo. Truques aparentemente inocentes que garantiram a nossa permanência aqui. Os macacos fazem a mesma coisa. Os ratos e as moscas também. Saber disso é o resultado da persistência em colocar o corpo desses nossos parentes sob o microscópio ou de dedicar horas e mais horas à pesquisa de modelos comportamentais que acabaram por definir nossa fisionomia através das eras.Não existe bondade, da forma como a entendemos, no reino animal. E muito menos um sentido moral. É gratuidade pura. Cada um lutando para não ter o mesmo destino dos dinossauros.

Outro dado curioso é que alguns animais se submetem a suicídios coletivos para o bem comum. Muitos aceitam morrer para que os mais fortes possam continuar em sua caminhada. Você conhece algum tipo de altruísmo semelhante entre nós? Não vale citar o que alguns tresloucados costumam fazer em nome de sua religião. Ou seja, a inteligência e a sagacidade não são atributos sobre os quais temos exclusividade. Os estratagemas que encontramos espalhados pela natureza fazem com que nos sintamos verdadeiros iniciantes na arte da sobrevivência. A diferença é que somos tão violentos e vorazes que estamos colocando em risco um complexo organismo que demorou milhões de anos para encontrar seu equilíbrio. Conclusão: o dia em que nos extinguirmos representará um alívio para todos os que ficarem por aqui.

Por fim, cai a última pretensão dessa nossa espécie autofágica: mesmo que consigamos acabar com tudo, daqui a alguns anos (dezenas, centenas ou milhares de, pouco importa), tudo começará novamente. Há forças que são incontroláveis. No máximo, ficam adormecidas, esperando o momento certo para se alastrarem outra vez. Tudo é uma questão de evolução e seleção natural. Nosso desaparecimento não será praticamente sentido. Os grilos estão prontos para ocupar o nosso lugar.


Publicado com a permissão do autor. Gilmar Marcílio é escritor, filósofo e coordenador da Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim. Publica suas crônicas em jornais desde 1998.

0 comentários: